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quinta-feira, 31 de março de 2011

Eu gostava daquele lugar. Me sentia parte dele. Era como se ali fosse o meu lugar.
E de repente, num piscar de olhos, numa decisão de alguém menos sábio... Parece que tudo muda.
Me sinto estranha... Foi-se o meu sentido de pertencer àquele lugar. Continuo indo lá, todas as semanas como de costume, mas sinto que não sou mais parte daquele todo.
Eu tenho isso sempre presente. As situações mudam, e com elas mudam os sentimentos... O que parece tão sólido hoje, pode ser areia amanhã. O que é importante hoje que continuará sendo daqui a cinco, dez anos?
Gostaremos dos mesmos lugares?
Teremos os mesmos amigos?
Faremos as mesmas coisas que fazemos hoje?
O que será que existe hoje que não venha a ser mudado com o passar do tempo?

"Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa, tudo sempre passará!
A vida vem em ondas como um mar
Num indo e vindo infinito..."
(Lulu Santos)

"Passarão os céus e a terra, mas minha Palavra não passará!"

"Seca-se a erva, caem as flores, porém a Palavra do nosso Deus subsiste eternamente!"
(Isaías 40:7)  


sábado, 26 de março de 2011

Ela cansou.
Não é que não o amasse, ela simplesmente não podia mais.
Durante anos cuidou dele, com dedicação e carinho.
Lutou contra dificuldades financeiras, enfrentou a doença com determinação.
Até que as coisas se tornaram além do que ela podia suportar.
Já não era tão jovem... ela cansou.
No fundo, no secreto de sua alma, pensava que se Deus o levasse seria melhor para os dois.
Por outro lado, temia não conseguir continuar sozinha, depois de tantos anos em função dele.
Há anos eram assim, só os dois, e todos acreditando que ela daria conta.
Mas ela cansou... e ele percebendo o cansaço dela, desistiu.
Afinal, era o vigor dela que o mantinha vivo.
Assim, aos pouquinhos seu corpo foi parando de funcionar.
Como que para dar tempo para ela se acostumar.
Ele se foi... e ela nem conseguiu chorar...
Estava muito cansada.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Eu era bem pequena, mas me lembro. Aconteceu alguma coisa no colégio que me deixou arrasada. Lembro de chorar alto enquanto dizia "ninguém gosta de mim!" Algumas crianças estavam rindo. Ela, uma das minhas colegas, chegou perto de mim, muito séria, e sentenciou: "eu gosto de você." Ela disse com tanta convicção, que não deixou espaço para dúvidas. E eu parei de chorar...
Eu devia ter mais ou menos 7 anos de idade quando isso aconteceu. Eu nunca esqueci. Ela não era uma amiga muito próxima, mas aquela declaração fez toda a diferença naquele dia. Mostrar amor para alguém pode mudar uma situação triste. Mesmo depois de adultos.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Shopping

Hoje fui passear um pouco no shopping. Fazia bastante tempo que eu não fazia isso. Parei para tomar um café e fiquei observando as pessoas nas mesas ao meu redor.
Atrás de mim, uma mesa com mulheres de meia idade, sorridentes e arrumadíssimas! Bolsas chamativas, cabelos muito bem arrumados, e ares de rainhas ao pedirem quiches de brócolis e sucos exóticos. Falavam muito, e alto, de modo que era impossível não ouvir.
Os assuntos oscilavam entre o corpo da atriz tal, da coragem da fulana que queria ser natural e não colocou silicone ou botox. Falaram sobre praia, e contavam vantagens umas para as outras de modo geral. Traziam sacolas enormes de lojas caríssimas, que faziam questão de deixar em local visível.
Comecei a ficar impaciente porque estava ali há uns 20 minutos e ainda não havia sido atendida. Talvez eu devesse usar uma bolsa mais chamativa...
Havia um senhor de idade na mesa a minha frente. Ele percebeu que eu estava ali há bastante tempo e chamou uma garçonete, pedindo alguma coisa. Quando ela se aproximou, ele disse em tom discreto que "a senhora que está na mesa da frente está esperando há tempo e ninguém a atendeu ainda". Fiquei impressionada que ele tivesse observado, e ainda tivesse se importado. Olhei para ele e tentei sorrir em agradecimento, mas ele discreto, não olhou para minha mesa. E eu fui prontamente atendida.
Mais ao fundo do salão, havia uma mesa com senhoras bem idosas. Entre seus acessórios, xales e bengalas.Várias mostravam os cabelos completamente brancos, e não pareciam incomodadas com isso. Terminaram o café e saíram distribuindo olhares amáveis e sorrisos para todas as mesas ao redor. Apoiavam-se umas às outras estendendo a mão para que levantassem da cadeira ou caminhando de braços dados. A maioria caminhava com alguma dificuldade. Riam muito! Era gostoso ouvir! Uma delas parou para brincar com uma criança na mesa ao lado da minha. Algumas tinham pequenas sacolas de lojas infantis, fiquei imaginando que pensavam nos netinhos.
Comparei as mesas, e entendi que a maturidade traz mesmo sabedoria. E felicidade!

segunda-feira, 21 de março de 2011

Eu tenho uma amiga que casou e foi morar nos EUA. Nós nos conhecemos desde os tempos de adolescentes. No perfil dela, no orkut, ela escreveu um texto que acho muito legal mesmo!

Na verdade, se eu tivesse a disciplina que se requer de um escritor eu adoraria fazer uma série de livros com o título:
"Tudo o que vc queria saber sobre como ser educado e conveniente e sua mãe nunca te ensinou."
Ia ter capítulos sobre:

 
O que não perguntar para uma pessoa solteira.

 
O que não perguntar para um casal que já está casado há algum tempo e ainda não tem filhos.

 
O que não dizer a uma mulher grávida.

O que não perguntar aos pais de uma criança com alguma patologia evidente.

O problema de escrever livros assim, é que quem REALMENTE precisa lê-los jamais os leria. Porque por definição, essas pessoas não têm semancol. Portanto elas veriam esses livros como supérfluos ou bons para outra pessoa...

Ou seja: acostume-se a viver com pessoas inconvenientes.

"Até o tolo quando se cala é tido por sábio" - Provérbios 17:28


Cinthia Bradasch Williamson

domingo, 20 de março de 2011

Sentir falta

É bom ter alguém que nos faz falta.
Quando menina, conheci uma família aonde as pessoas não sentiam falta umas das outras. Havia um certo alívio quando o marido saía para o trabalho, uma certa alegria quando a filha adolescente ia para a escola... Eu achava aquilo muito estranho! Porque família devia ser um lugar de amor, aonde cada um dos integrantes importa.
Esta semana meu marido viajou. Só dois dias, mas pareceram uma eternidade... A minha caçulinha chorou muito. O filho tentou ser o "homem da casa" e se esforçou para não chorar, mas falou do pai o tempo todo. A mais velha encheu os olhos de lágrimas quando colocou uma xícara a menos na mesa. Eu mal consegui dormir.
Sentimos falta. Muita falta! Em todas as pequenas coisas.
E lembrei daquela família, aonde a falta de alguém não fazia falta. Eles deviam ser muito tristes...
E concluí que sentir falta de alguém é uma bênção!

sábado, 19 de março de 2011

Às vezes as coisas dão errado. Mesmo quando a gente faz tudo certo. Quando isso acontece é de cortar o coração. A gente quer achar uma razão para que o que devia dar certo deu errado. E sofre.
Mas é sábio entender que nada escapa ao controle de Deus. E se Ele não nos abandona nunca, o que parece que deu errado, é na verdade o certo. É que nossa visão é limitada. Vemos partes. Ele vê o todo. Precisamos entender isso. Mesmo que corte o coração, às vezes...

"Aprendi com as primaveras a me deixar cortar para voltar sempre inteira."
(Cecília Meireles)
Essa semana eu estava passando de carro e observei um rapaz na rua. Ele vinha andando cabisbaixo, ar preocupado, com um cigarro na boca, que tragava com uma ânsia tal que me chamou a atenção. Quando foi que nos tornamos reféns de coisas tão fúteis como a fumaça de um cigarro na esperança de achar algum conforto?
Fiquei com pena do rapaz. Há mais do que fumaça para nos preencher.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Vovô!

Meu avô foi uma das pessoas mais fascinantes que conheci! Um paraibano alegre, advogado respeitado, profissional dedicado, que virava criança para brincar com os netos! Ah, como essas coisas deixam saudade...
Lembrando do vovô, escrevi um conto para um concurso, e vou postá-lo aqui para vocês. Escrevi como conto, mas é verdade verdadeira!

POSSO ENTRAR NO PARAÍSO?

“Posso entrar no paraíso?”
Essa era a frase que eu ouvia nos fins de tarde, na casa dos meus avós. Voltando do trabalho, meu avô não usava a chave da casa, tocava a campainha. Minha avó, que naquele horário já parecia estar numa alegre expectativa, corria para atender a porta. Mal ela abria, o vovô sorria para ela perguntando:
- Posso entrar no paraíso?
E a vovó, escancarando a porta:
- Pode entrar!
E o vovô dizia para ela:
- Mas no paraíso tem “superdeusa”!
- Não tem problema -respondia a vovó entre sorrisos- a superdeusa deixa você entrar!
E assim o vovô entrava e a casa se enchia de um carinho contagiante entre os dois. Era uma paz tão perfeita que eu fazia o possível para não fazer barulho, como se ficando quietinha eu conseguisse parar o tempo, permanecendo criança e perfeitamente segura naquele paraíso.
Vovô e vovó não se cansavam daquela terna brincadeira que parecia colorir o fim de tarde, mesmo depois do dia cansativo de trabalho, do trânsito e das preocupações diárias.
Eu admirava o relacionamento dos meus avós. Vovô era um paraibano de fortes convicções. Muito jovem, ele se apaixonou pela vovó, que com 18 anos já era viúva e mãe de três filhas. Vovô era filho de uma família rica, e quando anunciou o casamento, foi deserdado pelo pai, este achava inaceitável que o patrimônio da família fosse repartido com as três filhas da vovó.
O fato não abalou o amor dos dois. Casaram-se, tiveram mais dois filhos e venceram as dificuldades financeiras com trabalho honesto. Advogado, conhecido pela reputação irretocável, vovô estabeleceu-se no Rio de Janeiro.
Ele era definitivamente um homem feliz. Eu o ouvia cantar canções nordestinas, que ele dizia ter aprendido na infância, às vezes ele me contava sobre a seca no sertão e sobre sua infância. Aquelas histórias me ensinavam valores preciosos!
Pela manhã, também havia um “ritual” entre ele e a vovó. Vovô ia para o trabalho de metrô, a vovó se sentava ao lado do telefone lendo o jornal ou fazendo palavras cruzadas até que o vovô telefonasse, que era a primeira coisa que ele fazia ao chegar ao escritório. Ela perguntava:
- Já chegou?
E ele respondia sempre:
- Não, ainda estou “metropolitando”...
Essa frase fazia a vovó gargalhar. Eu achava estranho que a vovó risse sempre da mesma coisa. Anos mais tarde eu entendi que não era a frase repetida que a fazia rir, mas era ouvir a voz do vovô que a fazia feliz!
Mas todo aquele colorido tornou-se repentinamente preto e branco. Meu tio, o caçula dos meus avós, teve uma morte trágica em um assalto no Rio de Janeiro. Vovô nunca mais foi o mesmo...
Não mais cantou; entrava em casa quieto e ia para o quarto, chorava como criança. Nestes dias mais tristes eu tentava distraí-lo contando histórias e falando sobre outros assuntos. Ele ouvia, mas o brilho dos seus lindos olhos verdes se fora.
Não muito tempo depois, a tristeza acabou por fazer seu corpo adoecer, a doença o devastou e ele se foi, numa véspera de Natal, para tristeza e saudade de seus filhos e netos.
Vovó não conseguiu superar a ausência dele. Poucas vezes a vi chorar, mas em seus olhos havia uma dor profunda, quase palpável. Então definhou, desistiu de viver... preferiu encontrar-se com o vovô.
E eu sempre imagino o vovô chegando ao céu e perguntando para Deus:
- Posso entrar no Paraíso?
E Deus escancarando a porta diria:
- Pode entrar!
Vovô provavelmente diria para Deus:
- Mas no paraíso tem “superdeus”!
Ao que Deus responderia, sorrindo:
- Não tem problema, Eu deixo você entrar!

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Pois é...
Às vezes eu me pego pensando sobre os fatos do dia a dia, sobre o mundo em que vivemos e sobre pessoas de modo geral. Amo pessoas! Me entristece ver que ultimamente tantas pessoas parecem tão sozinhas, tão tristes, tão vazias...
E eu resolvi começar a escrever sobre pessoas... as do meu convívio próximo, as da minha família, as amigas, as conhecidas, e as que nem conheço, mas que de uma ou outra forma cruzam o meu caminho.
Uma vez eu ouvi de uma professora que admiro muito que nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus, e uma das características do nosso Deus é que Ele é capaz de trazer "ordem e beleza ao caos". Afinal, a terra era sem forma e vazia e Ele disse "haja luz" e assim se fez. E se nós somos a imagem e semelhança de Deus, também podemos trazer ordem e beleza ao caos que se encontra ao nosso redor. Eu gosto dessa ideia!
Espero que possamos trocar pensamentos legais por aqui!