Hora do almoço. Estavam só as duas, mãe e filha. E sem nenhuma introdução, a filha começa a conversa:
- Mãe! Todas as minhas amigas já perguntaram isso para a mãe delas e eu quero que você responda para mim também.
Sentindo o olharzinho meio sem jeito da filha adolescente, a mãe responde com calma.
- Claro filha! Mamãe é antes de tudo sua amiga. O que você quer peguntar?
- Você ia ficar brava comigo se um dia eu dissesse que dei um beijo em algum garoto?
A mãe engoliu em seco...
- Filha... - com a maior naturalidade possível - depende muito da situação. Se você me dissesse que beijou um garoto da escola porque ele é bonitinho, porque todo mundo beija, ou por uma razão assim meio "nada a ver", eu ia achar que não foi uma atitude legal. Mas se você contasse que beijou alguém de quem você já gosta, com quem você tem um relacionamento, daí é meio diferente...
A filha pareceu estimulada pela resposta da mãe.
- Mãe, mas e se não fosse assim, um beijo, mas fosse "tipo assim", só um selinho?
A mãe começa a desconfiar daquela conversa.
- Filha, o que houve na escola hoje?
- Nada mãe!
- Você beijou alguém na escola?
- NÃO mãe!!!!
- Então você viu alguém beijar alguém?
- Também não, mããããããe!
- Filha, e porque mesmo esse assunto agora, no meio do almoço?
- Ah... porque eu queria saber se caso acontecesse comigo, se você ia ficar brava. Assim, se fosse um selinho, e se fosse num menino legal, assim, que gosta de mim, e eu dele...
A mãe pensou antes de responder.
- Filha, você é tão novinha. Acho meio cedo! Mas se acontecer, eu quero que você me conte, porque eu quero que você saiba que pode conversar comigo sobre qualquer coisa, tá bom?
- Tá bom mãe! - e ela acrescentou um suspiro de alívio.
A mãe ficou olhando... e a filha disparou:
- Mãe, e se eu desse um selinho no Joãozinho? Você sabe que ele gosta de mim... Eu gosto dele...
- Filha, você beijou o Joãozinho?
Meio envergonhada, a menina abaixou a cabeça e falou mais baixinho:
- Foi só um selinho, mãe... Uma brincadeira! Nem foi bem um beijo de verdade...
E a mãe, querendo fazer cara de seriedade, olhou nos olhos da sua menininha, que estava com as faces ruborizadas. A pequena baixou os olhos, e a mãe só conseguiu dizer entre lágrimas:
- Meu bebê já está uma mocinha!
E ali nasceu um elo de cumplicidade entre mãe e filha que jamais poderia ser quebrado.
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